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Símbolos e regras de um fluxograma

Conheça os principais símbolos de fluxograma e aplique regras de setas, decisões, conectores e repetições para criar diagramas claros.

Publicado em 10 de setembro de 202618 min de leituraSkills Tecnológicas

Formas desenhadas a lápis são organizadas em um fluxograma alinhado, com decisão, dois caminhos e uma conexão final

Símbolos formam o vocabulário do fluxograma

Os símbolos de um fluxograma indicam o papel de cada elemento do algoritmo. A forma arredondada delimita início ou fim; o retângulo representa uma ação; o paralelogramo mostra entrada ou saída; o losango formula uma decisão; e as setas estabelecem a ordem.

Esse vocabulário visual reduz ambiguidades somente quando é usado com consistência. Um losango com a frase “calcular total”, por exemplo, continua sendo uma ação desenhada com a forma errada. Para construir um diagrama claro, associe significado, forma e conexão.

A norma ISO 5807 define símbolos e convenções para documentar fluxos de dados, programas e sistemas. Você não precisa memorizar todas as formas para começar. O conjunto essencial abaixo resolve a maioria dos algoritmos introdutórios.

Sete elementos de fluxograma mostram terminal, entrada ou saída, processo, decisão, conector, subprocesso e seta com suas funções
A forma comunica uma função; o texto dentro dela explica o que acontece naquele ponto.

Quais são os símbolos essenciais

Terminal: onde o fluxo começa ou termina

O terminal costuma ser desenhado como uma forma oval ou um retângulo de cantos bem arredondados. Use-o para Início e Fim, não para uma ação comum.

Um fluxograma pode ter mais de um término quando existem resultados distintos. Ainda assim, cada rota precisa chegar a um final identificável. Um terminal de início único costuma facilitar a leitura de algoritmos introdutórios.

Entrada e saída: dados atravessam a fronteira

O paralelogramo representa dados recebidos ou apresentados. “Receber valor do saque” é entrada; “Informar saldo insuficiente” é saída.

Algumas ferramentas separam entrada manual, exibição e outros meios com símbolos específicos. Quando esse detalhe não muda a lógica, o paralelogramo genérico mantém o diagrama mais simples. Escreva no bloco se o dado entra ou sai.

Processo: uma ação transforma o estado

O retângulo representa uma operação, como Calcular novo saldo, Somar item ao total ou Incrementar contador. Prefira uma ação objetiva, iniciada por verbo.

Se o retângulo contiver várias responsabilidades independentes, o nível de detalhe talvez esteja alto demais. Separe as ações ou transforme o trecho em um subprocesso nomeado.

Decisão: uma condição abre caminhos

O losango contém uma pergunta ou condição verificável, como Valor é positivo?. Cada saída corresponde a um resultado possível e deve receber um rótulo: sim e não, verdadeiro e falso ou valores específicos.

Decisões binárias são frequentes, mas não obrigatórias. Quando houver várias saídas, identifique todas sem sobreposição. Se o diagrama ficar difícil de acompanhar, divida a escolha em decisões menores ou use outra representação mais adequada.

Linha de fluxo: a seta define a próxima etapa

A linha conecta uma origem a um destino; a ponta da seta informa a direção. Sem ela, dois blocos próximos não estabelecem ordem. Uma linha interrompida ou com destino incerto representa uma lacuna no algoritmo.

Conector: continuidade sem uma linha longa

O pequeno círculo indica que o fluxo continua em outro ponto da mesma página. Repita o conector com o mesmo identificador nos dois pontos. Para uma continuação em outra página, ferramentas costumam oferecer um conector específico.

Conector não é uma etapa executável. Ele organiza o desenho quando reposicionar os blocos não basta. Em um diagrama curto, uma seta direta tende a ser mais clara.

Subprocesso: uma parte detalhada em outro lugar

O retângulo com linhas verticais internas representa um processo predefinido ou subprocesso. Use-o quando uma etapa nomeada possui fluxo próprio, como Validar cadastro.

O nome deve expressar o resultado esperado. Se o leitor precisa conhecer os detalhes, mantenha um diagrama separado para esse subprocesso.

Regras para conectar os símbolos

Comece definindo uma direção predominante, geralmente de cima para baixo ou da esquerda para a direita. Desvios podem sair para os lados, mas devem retornar sem obrigar o leitor a procurar a continuação.

Ao ligar as formas:

  • use pontas de seta visíveis;
  • faça cada linha chegar claramente a um símbolo;
  • evite linhas sobrepostas e cruzamentos;
  • mantenha espaço entre caminhos independentes;
  • preserve o mesmo significado para cada forma;
  • não dependa somente de cor para diferenciar rotas;
  • use textos curtos, mas completos o bastante para serem entendidos.

Quando duas rotas se reúnem, mostre a junção sem parecer que uma seta entra acidentalmente em outra. Quando não se reúnem, leve cada uma ao seu resultado ou término.

Comparação mostra decisão com saídas rotuladas e setas com destino ao lado de decisão ambígua, linha cruzada e caminho aberto
Rótulos, pontas de seta e destinos explícitos permitem percorrer o fluxo sem adivinhar.

Como escrever uma decisão clara

O texto no losango deve produzir respostas compatíveis com as saídas. Se a condição for Valor é maior que zero?, sim e não funcionam. Se ela for Qual é a forma de pagamento?, as saídas podem ser cartão, Pix e dinheiro.

Evite misturar pergunta e ação, como Saldo é suficiente? Debitar valor. A pergunta pertence ao losango; o débito, ao retângulo alcançado pela saída adequada.

Para cada decisão, verifique:

  1. a condição pode ser avaliada com os dados disponíveis;
  2. todas as saídas possuem significado explícito;
  3. os caminhos cobrem todos os resultados previstos;
  4. cada caminho chega a uma próxima etapa válida;
  5. os rótulos continuam legíveis sem depender da posição ou da cor.

O padrão histórico FIPS PUB 24, preservado pelo NIST, explicita que cada saída de um símbolo lógico deve ser identificada conforme o caminho que representa. Essa regra continua útil porque impede a inversão silenciosa das rotas.

Como representar uma repetição

Uma repetição não exige um símbolo exclusivo. Ela aparece quando uma decisão controla uma seta que retorna a uma etapa anterior.

Considere o fluxo enquanto houver item: processar item, avançar para o próximo e voltar à decisão. A atualização é indispensável. Sem avançar para o próximo, a condição pode permanecer verdadeira e criar um ciclo que nunca termina.

Deixe visíveis:

  • o estado inicial, quando necessário;
  • a condição que mantém ou encerra a repetição;
  • as ações executadas em cada passagem;
  • a atualização que aproxima o fluxo do término;
  • a saída que continua depois do laço.

A seta de retorno deve ser intencional e fácil de seguir. Se ela atravessar metade do diagrama, reorganize os blocos ou use conectores identificados.

Exemplo: validar um saque

Considere um algoritmo hipotético que recebe valor e saldo. O saque só pode acontecer quando o valor é positivo e não ultrapassa o saldo. Se as duas condições forem atendidas, o algoritmo calcula o novo saldo e confirma a operação.

O mapeamento fica assim:

ElementoConteúdoSímbolo
início e términolimites da execuçãoterminal
receber valor e saldodados que entramentrada/saída
valor é positivo?primeira regradecisão
valor cabe no saldo?segunda regradecisão
calcular novo saldotransformaçãoprocesso
informar resultadodado apresentadoentrada/saída
Fluxograma de saque recebe valor e saldo, valida valor positivo e saldo suficiente, calcula novo saldo ou informa o motivo da recusa
Duas decisões separam causas diferentes de recusa; todas as rotas apresentam um resultado e alcançam o fim.

Observe que Calcular novo saldo usa retângulo, enquanto as mensagens usam paralelogramo. Os losangos contêm apenas condições, e cada saída está identificada.

Três casos bastam para percorrer as rotas principais:

ValorSaldoCaminhoResultado
0200valor não é positivoinformar valor inválido
250200positivo, mas acima do saldoinformar saldo insuficiente
80200positivo e disponívelconfirmar; novo saldo 120

O caso 200 com saldo 200 também é importante: ele confirma que a segunda condição deve aceitar igualdade. Essa revisão por entradas concretas aplica o método de testar um algoritmo manualmente.

Um nível de detalhe por diagrama

Misturar uma visão geral com operações minuciosas produz um fluxo desequilibrado. Se um bloco diz Processar pedido e o seguinte detalha cada cálculo de centavos, os elementos estão em níveis diferentes.

Escolha o objetivo do desenho. Um fluxograma de visão geral pode mostrar Validar saque como subprocesso. Outro diagrama explica as condições internas. Essa decomposição preserva uma leitura contínua e permite atualizar uma parte sem redesenhar tudo.

Na aula sobre como representar um algoritmo, vimos que a representação deve servir ao público e à etapa do trabalho. As regras de fluxograma não obrigam você a colocar todo detalhe possível na mesma página.

Erros comuns

Escolher a forma pela aparência

Cor e simetria não definem função. Primeiro identifique se o elemento recebe dados, executa uma ação ou avalia uma condição; depois escolha a forma.

Deixar uma saída sem rótulo

Um losango com dois caminhos não informa qual deles corresponde a cada resultado. Rotule ambos junto ao início das setas.

Usar setas nos dois sentidos

Uma única linha com pontas opostas torna a sequência ambígua. Desenhe conexões separadas e posicione o retorno como uma rota intencional.

Cruzar linhas sem indicar junção

O leitor não sabe se as rotas apenas se cruzam ou se tornam uma só. Reorganize o layout; se necessário, use conectores com identificadores correspondentes.

Criar um caminho sem fim

Toda rota deve avançar, retornar sob uma condição ou terminar. Uma linha que para no espaço equivale a uma instrução ausente.

Transformar o diagrama em texto ilustrado

Parágrafos dentro das formas prejudicam a varredura visual. Use ações curtas e mova regras complementares para a explicação ao redor do diagrama.

Checklist de revisão

Antes de considerar o fluxograma pronto, percorra esta lista:

  • existe um ponto de início identificável;
  • todas as formas mantêm o mesmo significado;
  • os processos descrevem ações e as decisões contêm condições;
  • as setas têm direção e destino claros;
  • cada saída de decisão está rotulada;
  • retornos de repetição mostram condição e atualização;
  • conectores aparecem em pares identificáveis;
  • cores são auxiliares, não a única fonte de significado;
  • todos os caminhos alcançam outra etapa válida ou um término;
  • casos comuns, inválidos e de fronteira produzem o resultado esperado.

Peça a outra pessoa para seguir o desenho sem uma explicação oral. Se ela precisar adivinhar uma conexão, a falha está no artefato, não no leitor.

Pratique com um fluxo de entrega

Desenhe um fluxograma para esta regra hipotética: receber a distância; rejeitar valores negativos; para distância até 5 km, informar taxa de R$ 6; acima disso, informar taxa de R$ 10.

  1. escolha a forma de cada entrada, condição e saída;
  2. use uma decisão para validade e outra para a faixa de distância;
  3. rotule todas as saídas;
  4. teste com -1, 0, 5 e 5,1;
  5. confirme que cada rota chega ao fim;
  6. revise se a igualdade está no caminho correto.

O exercício está claro quando os quatro casos podem ser resolvidos apenas seguindo as setas.

O que você deve guardar

Um fluxograma legível não depende de muitas formas. Ele depende de um vocabulário consistente: terminal delimita, entrada/saída troca dados, processo executa, decisão escolhe, seta direciona, conector continua e subprocesso resume.

As regras completam os símbolos. Direção predominante, saídas rotuladas, destinos explícitos, retornos intencionais e um nível de detalhe coerente tornam o algoritmo verificável. Reveja o que é um fluxograma quando precisar retomar a construção completa e avance para pseudocódigo ou fluxograma para escolher a representação conforme o objetivo. Consulte também o catálogo da trilha para acompanhar a sequência.

Referências