Conteúdo 10 de 20
O que é um fluxograma
Entenda como um fluxograma representa etapas, decisões e caminhos de um algoritmo e aprenda a criar e verificar um exemplo simples.

Fluxograma mostra o caminho de um algoritmo
Fluxograma é um diagrama que representa etapas, decisões e a direção de um processo por meio de formas conectadas. Em lógica de programação, ele permite enxergar o fluxo de um algoritmo: onde começa, quais dados recebe, que regras aplica, por quais caminhos pode passar e onde termina.
Um fluxograma não é o algoritmo em si. É uma representação visual dele, assim como o pseudocódigo é uma representação textual. Se uma condição estiver errada, o diagrama pode estar bem desenhado e ainda descrever uma solução incorreta.
Para que serve um fluxograma
O formato visual ajuda a:
- apresentar uma visão geral antes da implementação;
- localizar decisões, desvios, retornos e caminhos ausentes;
- discutir a solução com pessoas que usam linguagens diferentes;
- documentar o comportamento esperado;
- comparar o fluxo desenhado com pseudocódigo ou código;
- dividir um processo maior em partes compreensíveis.
Na aula sobre como representar um algoritmo, vimos que cada formato evidencia aspectos diferentes. O fluxograma é especialmente útil quando a pergunta principal é “por onde a execução pode passar?”.
Como ler a direção do fluxo
Comece no símbolo de início e siga as setas. Cada seta conecta uma origem a um destino e indica o próximo elemento.
Ao encontrar uma decisão, leia a pergunta e avalie a condição. Siga apenas a saída correspondente ao resultado, como sim ou não. Continue até chegar a uma saída ou ao fim.
Em um diagrama introdutório, você encontrará com frequência:
- início ou fim: delimita a execução;
- entrada ou saída: recebe ou informa dados;
- processo: realiza uma ação ou cálculo;
- decisão: avalia uma condição e abre caminhos;
- seta: indica a direção entre os elementos.
Esses papéis costumam ser associados a formas diferentes. A próxima aula aprofundará símbolos e convenções; por enquanto, o mais importante é não depender apenas da cor e manter a direção inequívoca.
Fluxograma não é qualquer diagrama
Um mapa mental organiza ideias ao redor de um tema, mas não precisa indicar uma execução. Um organograma mostra relações de estrutura ou responsabilidade. Um diagrama de fluxo de dados enfatiza como informações circulam entre processos e armazenamentos.
O fluxograma de um algoritmo, por sua vez, descreve controle de fluxo: qual passo ocorre, em que ordem e sob qual condição. Algumas ferramentas e áreas adotam notações próprias; por isso, identifique o tipo de diagrama e mantenha uma legenda quando o público não conhece suas convenções.
Exemplo: reservar itens no estoque
Considere esta regra hipotética:
Receber a quantidade disponível e a quantidade solicitada. Se ambas forem positivas e o pedido não ultrapassar o estoque, reservar os itens, atualizar o saldo e confirmar. Caso contrário, informar que a reserva não foi realizada.
Antes de desenhar, transforme a regra em elementos:
- entradas:
estoqueDisponivelequantidadeSolicitada; - validação: os dois valores precisam ser positivos;
- decisão de disponibilidade: a quantidade solicitada deve ser menor ou igual ao estoque;
- processamento: subtrair a quantidade reservada;
- saídas: reserva confirmada com novo saldo ou reserva não realizada.
Uma versão textual ajuda a conferir a lógica:
receba estoqueDisponivel
receba quantidadeSolicitada
se estoqueDisponivel > 0 e quantidadeSolicitada > 0
se quantidadeSolicitada <= estoqueDisponivel
novoEstoque = estoqueDisponivel - quantidadeSolicitada
informe "Reserva confirmada"
informe novoEstoque
senão
informe "Reserva não realizada"
fim se
senão
informe "Reserva não realizada"
fim se
No fluxograma, as duas condições aparecem como decisões consecutivas. Somente o caminho em que ambas são verdadeiras alcança a atualização do estoque.
Como criar um fluxograma simples
1. Defina o contrato
Registre entradas, saídas, regras, casos inválidos e critério de término. Não comece escolhendo formas antes de compreender o problema.
2. Escreva os passos
Faça uma lista ou um pseudocódigo claro. Essa versão permite revisar a solução sem lidar simultaneamente com layout.
3. Marque ações e decisões
Separe o que sempre acontece do que depende de uma condição. Cada decisão deve ser formulada de modo que suas saídas possam ser identificadas.
4. Posicione início, entradas e caminho principal
Comece com uma direção predominante — geralmente de cima para baixo ou da esquerda para a direita. Coloque primeiro o caminho mais fácil de acompanhar.
5. Acrescente os caminhos alternativos
Ligue cada saída de decisão ao próximo passo correto. Rotule as conexões com significados como sim e não, não apenas com cores.
6. Garanta saídas e término
Todo caminho previsto deve alcançar outra etapa válida, retornar de forma intencional ou terminar. Uma seta interrompida deixa o comportamento indefinido.
7. Percorra o desenho com casos reais
Use entradas comuns, inválidas e de fronteira. Siga as setas sem pular blocos e compare o resultado com o contrato.
Como verificar todos os caminhos
No exemplo de estoque, três casos exercitam comportamentos diferentes:
| Estoque | Pedido | Caminho | Resultado |
|---|---|---|---|
10 | 4 | válido e disponível | reserva confirmada; saldo 6 |
10 | 10 | válido e exatamente no limite | reserva confirmada; saldo 0 |
10 | 12 | válido e indisponível | reserva não realizada |
10 | 0 | entrada inválida | reserva não realizada |
O caso de pedido igual ao estoque confirma que a condição correta é <=, não <. O valor zero confirma a rota de validação.
Esse procedimento aplica a lógica de testar um algoritmo manualmente. O desenho facilita enxergar os caminhos, mas os casos confirmam o que cada caminho produz.
Quando o fluxograma é uma boa escolha
Use um fluxograma quando:
- decisões e retornos são centrais para compreender a solução;
- o público precisa de uma visão geral visual;
- você quer revisar caminhos antes de detalhar a implementação;
- o algoritmo é pequeno ou pode ser dividido em blocos;
- um erro de conexão seria mais fácil de ver no diagrama.
Para um cálculo linear de três passos, a linguagem natural ou o pseudocódigo pode ser suficiente. Para uma solução com muitos detalhes, o pseudocódigo tende a ser mais fácil de editar e versionar.
Os formatos também podem coexistir: um fluxograma apresenta o panorama, enquanto pseudocódigos menores descrevem partes específicas. Defina qual artefato é a referência principal para evitar versões contraditórias.
Limites do fluxograma
À medida que decisões, repetições e exceções aumentam, o desenho pode ficar largo, profundo e cheio de cruzamentos. Um diagrama grande demais reduz justamente a clareza que deveria oferecer.
Quando isso acontecer:
- divida o algoritmo em partes nomeadas;
- mantenha um fluxo de alto nível;
- detalhe cada parte separadamente;
- remova elementos que pertencem à interface ou à linguagem;
- avalie se pseudocódigo comunica melhor os detalhes.
Fluxogramas também precisam de manutenção. Se a regra mudar no código e não no desenho, a documentação deixa de ser confiável.
Erros comuns
Desenhar antes de definir a regra
Formas bonitas não resolvem entradas, limites e saídas ausentes. Esclareça o contrato primeiro.
Não rotular as saídas da decisão
Sem sim e não — ou rótulos equivalentes — o leitor pode inverter os caminhos.
Usar uma decisão para uma ação
Uma decisão formula uma condição; “calcular total” é processamento. Confundir papéis prejudica a leitura.
Deixar setas sem destino
Cada conexão precisa chegar a um elemento. Caminhos abertos representam comportamento indefinido.
Cruzar linhas em excesso
Cruzamentos dificultam descobrir se as rotas se conectam. Reorganize o layout ou decomponha o fluxo.
Presumir que o desenho prova correção
O fluxograma pode reproduzir fielmente uma regra errada. Compare-o com o problema e execute casos de teste.
Pratique com aprovação por nota
Crie um fluxograma para esta regra hipotética: receber uma nota de 0 a 10; rejeitar valores fora desse intervalo; informar “Aprovado” para notas a partir de 6 e “Reprovado” para as demais.
- escreva entradas, validade e saídas;
- marque as duas decisões necessárias;
- desenhe uma direção predominante;
- rotule todas as saídas;
- teste com
-1,0,5,9,6,10e11; - confirme que cada caso chega exatamente a um término.
O fluxograma está adequado quando outra pessoa consegue prever as seis respostas seguindo apenas formas, rótulos e setas.
O que você deve guardar
Fluxograma é uma representação visual de etapas, decisões e direção. Ele ajuda a observar caminhos que podem ficar escondidos em um texto, desde que use conexões claras, saídas rotuladas e um nível de detalhe compatível com o objetivo.
O desenho não substitui a definição do problema nem o teste. Avance para símbolos e regras de um fluxograma para escolher formas, rotular decisões e organizar conexões. Consulte também o catálogo da trilha de Lógica de Programação para acompanhar a sequência.
Referências
- ISO — ISO 5807:1985: Information processing — Documentation symbols and conventions for flowcharts. Acesso em 10 set. 2026.
- NIST — Flowchart Symbols and Their Usage in Information Processing, FIPS PUB 24. Acesso em 10 set. 2026.
- IBM — What Is a Flowchart?. Acesso em 10 set. 2026.
- IBM Documentation — Connecting steps in a process. Acesso em 10 set. 2026.
- Computer Science Teachers Association — CSTA K–12 Computer Science Standards, Revised 2017. Acesso em 10 set. 2026.